Reajuste da tarifa de energia em 2026: como a assinatura protege sua conta da alta da CEMIG e da CPFL
A ANEEL aprovou reajuste médio de 6,50% na CEMIG e de 12,13% na CPFL Paulista em 2026. Entenda o que muda na sua conta e como a energia solar por assinatura reduz o impacto da alta.
Publicado em · atualizado em · 8 min de leitura

Resumo rápido
- Em 2026, a ANEEL aprovou reajuste médio de 6,50% na CEMIG Distribuição (5,21% na baixa tensão) e de 12,13% na CPFL Paulista (9,15% para residenciais).
- A energia solar por assinatura não zera a conta: ela aplica um desconto contratual sobre a parte da fatura coberta por créditos de energia.
- Com a tarifa mais alta, o valor economizado em reais tende a crescer, porque o desconto incide sobre uma base reajustada.
- A modalidade é prevista em lei, no Sistema de Compensação de Energia Elétrica da Lei 14.300/2022.
O reajuste da tarifa de energia em 2026 já está valendo e pesa no bolso de quem mora em Minas Gerais e no interior de São Paulo: a ANEEL aprovou um efeito médio de 6,50% para os clientes da CEMIG Distribuição e de 12,13% para os da CPFL Paulista. A energia solar por assinatura não impede o reajuste, porque ele é definido pela agência reguladora e vale para toda a área de concessão, mas funciona como um amortecedor: você mantém um desconto contratual, normalmente entre 10% e 20%, sobre a parcela da conta que é coberta por créditos de energia. Ou seja, a tarifa sobe para todo mundo, e quem tem assinatura sente esse aumento em uma fatia menor da fatura.
Quais foram os índices do reajuste tarifário 2026 da CEMIG?
Em 26 de maio de 2026, a ANEEL homologou o Reajuste Tarifário Anual da CEMIG Distribuição por meio da Resolução Homologatória nº 3.589, com vigência a partir de 28 de maio de 2026. Os números aprovados foram:
- efeito médio de 6,50% para o conjunto dos consumidores;
- 5,21% para a baixa tensão, faixa que inclui residências e pequenos comércios;
- 9,43% para a alta tensão, onde estão indústrias e grandes estabelecimentos comerciais.
Esse efeito médio de 6,50% é percebido no período de 28 de maio de 2026 a 27 de maio de 2027. Vale olhar também a composição do índice, que explica muito sobre por que a conta sobe:
- Parcela B, os custos gerenciáveis pela distribuidora: mais 1,40 ponto percentual;
- Parcela A, os custos não gerenciáveis como compra de energia, encargos e transmissão: mais 0,68 ponto percentual;
- itens financeiros: mais 4,42 pontos percentuais.
Ou seja, a maior parte do aumento veio de itens financeiros e encargos setoriais, e não de algo que o consumidor consiga controlar apertando o uso do chuveiro.
Dois anos seguidos de alta em MG
Em 2025, a ANEEL já havia aprovado reajuste médio de 7,78% para a CEMIG, com 7,03% na baixa tensão e 9,45% na alta tensão. O efeito acumulado de 2025 e 2026 não é uma soma simples, porque cada reajuste incide sobre uma base já reajustada, mas o impacto na fatura é relevante.
Quanto subiu a tarifa da CPFL Paulista em 2026?
No interior de São Paulo, o choque foi maior. Em 22 de abril de 2026, a ANEEL aprovou o Reajuste Tarifário Anual da CPFL Paulista com:
- efeito médio total de 12,13% para todos os consumidores;
- 9,25% em média para a baixa tensão;
- 9,15% para os clientes residenciais, da classe B1;
- 18,75% em média para a alta tensão.
O detalhe que explica a sensação de aumento repentino é o ciclo anterior. Para a vigência de 30 de abril de 2025 a 7 de abril de 2026, as tarifas da CPFL Paulista tiveram reajuste médio negativo de 3,66%, com Índice de Reajuste Tarifário Anual de menos 2,19%, resultado de mais 5,85% de reajuste econômico e menos 8,04% de componentes financeiros que amortizaram o índice. Depois de um ano de queda média, o salto para mais 12,13% aparece com força na conta de quem mora ou tem negócio no interior paulista.
Descubra quanto o reajuste de 2026 pode custar a você
Simule com a sua conta de luz atual e veja qual seria a economia com energia por assinatura na CEMIG ou na CPFL Paulista.
Por que a conta sobe mesmo quando o consumo continua igual?
Muita gente compara duas faturas com consumo parecido e não entende a diferença de valor. A explicação está na estrutura da tarifa. Além da energia em si, você paga:
- custos de transmissão e distribuição, que remuneram a rede;
- encargos setoriais definidos em regulação;
- componentes financeiros, que ajustam diferenças de ciclos anteriores;
- tributos aplicados sobre o total.
No reajuste 2026 da CEMIG, como mostram os 4,42 pontos percentuais de itens financeiros, foi justamente essa parte não ligada ao seu consumo que puxou o índice. Isso significa que economizar energia dentro de casa ajuda, mas não resolve o efeito do reajuste. Para reduzir o valor da tarifa que você paga por kWh, é preciso mexer na forma de contratar energia.
Como a energia solar por assinatura amortece o reajuste de 2026
A energia solar por assinatura é uma forma de geração distribuída remota. Você não instala painel no telhado: uma usina solar conectada à rede da distribuidora injeta energia e gera créditos que abatem o consumo da sua unidade consumidora, dentro do Sistema de Compensação de Energia Elétrica. A proteção contra o reajuste acontece por três caminhos.
Desconto contratual sobre uma base reajustada
A empresa de geração distribuída oferece um desconto percentual sobre o valor da energia compensada. Esse desconto é contratual e não é cancelado quando a ANEEL autoriza um novo reajuste. O que muda é a base de cálculo. Se a tarifa sobe 5,21% na baixa tensão da CEMIG ou 9,15% para os residenciais da CPFL Paulista, o mesmo desconto passa a incidir sobre um valor maior, e a economia em reais tende a aumentar.
Previsibilidade do custo da energia gerada
A usina de geração distribuída tem investimento já realizado e custo operacional baixo, o que torna o custo da energia gerada mais estável. A tarifa da distribuidora, ao contrário, é pressionada por encargos, transmissão e componentes financeiros que variam a cada ciclo. É essa diferença de comportamento que permite estruturar contratos com desconto e previsibilidade maior para famílias e pequenos negócios.
Quanto maior a fração compensada, menor a exposição
Em boa parte dos contratos, o objetivo é compensar de 60% a 100% do consumo de energia ativa em kWh, respeitando os limites regulatórios. Quanto maior essa fatia, menor é a parte da sua conta que fica sujeita integralmente ao reajuste da distribuidora. É aqui que está o efeito prático da proteção.
O que a assinatura não faz: dois mitos para desfazer
Ser honesto sobre os limites é parte de fazer a conta certa.
O primeiro mito é achar que a conta desaparece. Não desaparece. Continuam na fatura o custo de disponibilidade, os tributos e parte das tarifas de uso do sistema que não são compensáveis, sobretudo depois das regras de transição da Lei 14.300/2022. O resultado é redução, não eliminação.
O segundo mito é acreditar que quem tem geração distribuída não é afetado pelo reajuste da ANEEL. Também é falso. A tarifa reajustada define o valor em reais de cada kWh compensado e continua incidindo sobre a parcela da fatura que os créditos não cobrem. A diferença é o impacto menor por kWh efetivamente compensado.
A energia solar por assinatura reduz e amortece o efeito do reajuste tarifário 2026, mas não congela nem zera a conta de luz.
A modalidade é regulada? O que diz a Lei 14.300/2022
A Lei 14.300/2022 criou o Marco Legal da Microgeração e Minigeração Distribuída e disciplinou o Sistema de Compensação de Energia Elétrica. Nesse sistema, a energia ativa injetada na rede por uma usina de geração distribuída é cedida à distribuidora e depois compensada com o consumo ou contabilizada como créditos de energia.
A assinatura normalmente se enquadra como autoconsumo remoto ou como empreendimento com múltiplas unidades consumidoras, duas modalidades reconhecidas no Sistema de Compensação, em que uma usina gera créditos para várias unidades dentro da mesma área de concessão. As regras de fornecimento estão consolidadas na Resolução Normativa nº 1.000/2021 da ANEEL, adaptada ao Marco Legal.
A lei também criou um regime de transição, no qual novas unidades de geração distribuída passam a pagar gradualmente componentes tarifários que antes eram integralmente compensados. Os percentuais específicos são definidos em ato regulatório da ANEEL e devem ser verificados na norma atualizada. O ponto que importa aqui é jurídico: o direito à compensação está previsto em lei, e a conta continua sendo emitida pela CEMIG ou pela CPFL Paulista, com os créditos abatendo o valor.
Quem sente mais o reajuste: famílias e pequenos negócios
Em Minas Gerais, o reajuste de 5,21% na baixa tensão pesa mais em famílias que usam chuveiro elétrico, ar-condicionado e eletrodomésticos intensivos, e em domicílios de baixa renda que não são beneficiários da Tarifa Social. Para pequenos comércios como mercados, padarias e salões, o aumento entra direto no custo operacional, sem nenhuma contrapartida em receita.
No interior de São Paulo, com 9,25% na baixa tensão e 9,15% para residenciais, o efeito é ainda mais visível. Negócios que dependem de refrigeração, como mercados e açougues, ou de climatização intensa, sentem impacto proporcionalmente maior, porque a energia é uma das principais linhas de custo.
Antes de decidir, olhe a sua fatura
Verifique o grupo tarifário, o consumo médio em kWh dos últimos doze meses e o custo de disponibilidade. São esses três dados que determinam quanto da sua conta pode ser coberto por créditos e qual economia é realista no seu caso.
Conclusão
O reajuste tarifário de 2026 já está em vigor: 6,50% de efeito médio na CEMIG, com 5,21% na baixa tensão, e 12,13% na CPFL Paulista, com 9,15% para os clientes residenciais. Reduzir consumo ajuda, mas não muda a tarifa. A energia solar por assinatura muda uma parte da equação, ao aplicar um desconto contratual, na faixa de 10% a 20%, sobre a fatia da conta compensada por créditos de energia, com respaldo na Lei 14.300/2022 e sem obra no telhado.
A proteção é parcial e precisa ser apresentada assim. Mas em um cenário de dois anos seguidos de reajuste em MG e de um salto de dois dígitos no interior de SP, garantir desconto sobre uma base que só cresce é uma decisão prática. O próximo passo é simples: pegue sua conta de luz e faça a simulação com os seus números.
Quanto a sua conta pode economizar depois do reajuste de 2026?
Leva menos de 2 minutos, sem compromisso.
Perguntas frequentes
Se a CEMIG ou a CPFL aumentam a tarifa, meu desconto na assinatura acaba?
Não. O reajuste tarifário anual é definido pela ANEEL e vale para toda a área de concessão, mas o desconto da assinatura é contratual e não é cancelado pela distribuidora. O que muda é a base sobre a qual o desconto é aplicado, que passa a ser a tarifa reajustada.
A ANEEL pode acabar com o sistema de compensação e tirar o benefício?
O Sistema de Compensação de Energia Elétrica está previsto na Lei 14.300/2022, ou seja, tem base legal. Uma mudança estrutural exigiria alteração da lei pelo Congresso e pela Presidência, não apenas uma decisão administrativa. A ANEEL regulamenta detalhes como prazos, procedimentos de acesso e percentuais de compensação de componentes tarifários.
Energia solar por assinatura serve para quem mora de aluguel?
Sim. Como a geração é remota, não é preciso instalar nada no telhado nem ser proprietário do imóvel. A condição é que a unidade consumidora esteja na mesma área de concessão da usina, e o vínculo acontece pela fatura de energia.
Ainda vale a pena entrar na geração distribuída depois da Lei 14.300/2022?
A lei criou um regime de transição em que novas unidades passam a pagar gradualmente componentes tarifários antes totalmente compensados, o que reduz o benefício em relação ao regime anterior. Mesmo assim, os projetos continuam sendo estruturados com desconto real na conta, sustentados pelo custo decrescente da tecnologia solar, ganhos de escala em usinas maiores e previsibilidade da geração.
A assinatura de energia é regularizada? Não é uma ligação irregular?
Não tem nada de irregular. A usina é conectada à rede com autorização da distribuidora e a compensação segue o Sistema de Compensação de Energia Elétrica previsto na Lei 14.300/2022 e regulamentado pela ANEEL. Você continua recebendo a conta da CEMIG ou da CPFL Paulista, com os créditos abatendo o valor.
A Tarifa Social também foi reajustada na CEMIG em 2026?
Segundo comunicação anterior da CEMIG referente ao ciclo encerrado em maio de 2026, a Tarifa Social teve reajuste mais baixo, de 2,02%. Quem não é beneficiário da Tarifa Social e tem renda apertada tende a sentir mais o reajuste de 5,21% aplicado à baixa tensão.
Fontes
- https://ri.cemig.com.br/docs/Comunicado-ao-Mercado-Cemig-2026-05-27-9c76jnWm.pdf
- https://www.cnnbrasil.com.br/infra/aneel-aprova-reajuste-medio-de-650-nas-tarifas-da-cemig-d/
- https://valor.globo.com/empresas/noticia/2026/05/26/aneel-aprova-reajuste-medio-de-65percent-nas-tarifas-de-energia-da-cemig.ghtml
- https://astraenergia.com.br/blog/conta-de-luz/reajuste-tarifa-cemig-2026
- https://ri.cemig.com.br/docs/Cemig-2026-06-30-THtJzCB9.pdf
- https://portal.cemig.com.br/release/aneel-define-nova-tarifa-para-os-clientes-da-cemig-distribuicao/
- https://atlaspublico.com.br/noticias/aneel-homologa-reajuste-tarifario-de-2026-da-cemig-308
- https://istoedinheiro.com.br/aneel-aprova-alta-tarifaria-media-de-1213-para-consumidores-da-cpfl-paulista-2
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